Bancos com menos Estado aliviam famílias

A redução do endividamento bancário do setor empresarial do Estado é fundamental para que os bancos possam efetuar o processo de desalavancagem sem "demasiado esforço" das famílias e empresas, afirmou António de Sousa, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), na audição conjunta perante as comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e Segurança Social e Trabalho, que decorreu ontem.

Acrescentou, citado pela Lusa: "Isto não permite dar mais crédito, mas que a diminuição de crédito não seja tão acentuada nas famílias e empresas".

 

Os bancos estão a abrandar a concessão de crédito para reduzir o seu endividamento e, assim, cumprir as metas de desalavancagem exigidas pelo Banco de Portugal. Até 2014, os bancos têm de reduzir o rácio de transformação de depósitos em crédito até ao máximo de 120%.

António de Sousa falava, no parlamento, a propósito da transferência dos fundos de pensões da banca para a Segurança Social, tendo afirmado que "este não foi o momento oportuno" para a banca passar os fundos de pensões para o Estado, já que obriga a apresentar perdas num momento particularmente sensível para o sistema bancário.

 

Frisou que os ativos estão "desvalorizados", tendo ainda sublinhado que os bancos foram "afetados" pela taxa de desconto acordada com o Governo no cálculo das responsabilidades dos fundos de pensões, devido à "diferença entre o valor contabilizado e o valor suportado". Especificou que a taxa que estava a ser utilizada era de 5,25% ou 5,5%, quando aquela que veio a ser utilizada foi de 4%. Para os bancos, foram menos 700 milhões de euros. Este valor terá de ser repercutido nas contas das instituições.

 

António de Sousa acrescentou ainda que o aumento das pensões, que, na transferência dos fundos de pensões, ficou do lado dos bancos, também deverá passar para o Estado, numa operação a negociar no futuro.

 

Acordo difícil

O acordo entre o Governo e os bancos para a transferência dos fundos de pensões destes esteve para não se concretizar, por os bancos não aceitarem a taxa de desconto proposta. A situação do país levou ao entendimento, segundo António de Sousa.

 

Pouco internacionais

Os bancos nacionais não estão suficientemente internacionalizados, apesar de, entre as principais instituições, grande parte dos lucros vir do mercado externo, afirmou o presidente da APB, António de Sousa. Frisou os bons resultados nos testes de stresse.